Quando penso em todas as histórias que já escutei, momentos compartilhados e os desafios enfrentados por gestantes do Gestar Ativa, entendo que o protagonismo de cada mulher no momento do parto é, além de transformador, também um jeito de resgatar o conforto e o respeito ao próprio corpo. Escolher como viver o trabalho de parto faz parte disso, e as posições naturais, que aliviam a dor e trazem autonomia, são um caminho precioso, reforçado tanto pela minha experiência como por estudos e diretrizes das mais respeitadas instituições, como OMS, ACOG e SOGC.
Quando o assunto é aliviar a dor do parto, experimentar diferentes posições pode ser a chave para encontrar bem-estar, controle e mobilidade nas horas que antecedem a chegada do bebê. Muitas vezes este é um processo de escuta do corpo e do bebê, e, quanto mais informações e orientações confiáveis, mais leveza e confiança a mulher pode ter neste momento tão esperado.
Protagonismo, escuta do corpo e apoio profissional
Quem já passou pelo trabalho de parto sabe como pequenas mudanças (como apoiar-se em uma bola de pilates ou aceitar uma massagem nas costas) fazem diferença. Muitas gestantes têm dúvida se podem mesmo escolher a forma como vão se posicionar, se há riscos ou se existe alguma melhor que funcione para todas.
Eu sempre falo: cada experiência é única, e não existe um “manual universal”. O que há, sim, são orientações seguras, validadas por pesquisas científicas, e o respeito pelo ritmo e pela necessidade individual. O Ciclo RAA, metodologia que aplico e desenvolvi no Gestar Ativa, foi pensado justamente para isso: para adaptar cada etapa do movimento à mulher, trazendo a clareza de que cada escolha importa.
Foi observando e ouvindo mães, de diversas realidades, perfis e histórias, que vi como a alternância de posições, a liberdade de se movimentar e o cuidado com o conforto fazem total diferença. Isso é ainda mais claro quando dou suporte presencial ou acompanho relatos de quem usa a plataforma.
Movimente-se, teste posições e confie: você é a protagonista desse momento!
A seguir, vou detalhar as principais posições para alívio da dor do parto, explicando por que funcionam, como usá-las (com ou sem acessórios), e trazendo dicas práticas para que essa escolha seja feita com segurança, autonomia e menos dor.

Permanecer em pé e caminhar: liberdade e gravidade ao seu favor
Ficar em pé durante o trabalho de parto pode parecer simples, mas é uma maneira poderosa de usar a gravidade a favor do bebê, e, consequentemente, amenizar a dor. Ao caminhar, o movimento suave do quadril ajuda o bebê a descer e se encaixar, enquanto o corpo encontra posições mais confortáveis naturalmente.
Na minha experiência, boa parte das gestantes sentem alívio imediato quando têm liberdade de circular, seja em casa ou no hospital. Apoiar-se em alguém (companheiro, doula ou profissional) ou em móveis robustos torna o movimento ainda mais seguro. Senti e ouvi de várias mulheres que caminhar diminui aquela pressão incômoda, especialmente na lombar.
- Dica: Se possível, combine a caminhada com pausas para respirar profundamente (técnica comprovada por pesquisas sobre técnicas de respiração e relaxamento). Isso deixa o corpo ainda mais relaxado e confortável.
Cócoras: mais abertura para o quadril e alívio imediato
A posição de cócoras, com os pés bem firmes no chão e o quadril próximo do solo, oferece uma ampla abertura da pelve, o que facilita tanto o encaixe do bebê quanto o relaxamento muscular. Não é à toa que é uma das posturas mais adotadas em culturas tradicionais para aliviar o desconforto do trabalho de parto, e, como costumo dizer, a bola de pilates entra como aliada fantástica aqui, oferecendo suporte e liberdade de movimento.
Este é um dos jeitos mais eficientes de liberar a pressão lombar. Se nunca testou antes, recomendo experimentar durante a gestação, usando sempre um apoio para as costas (cadeira, bola, almofada) ou mesmo segurando nas mãos de alguém.
Muitas mulheres sentem um relaxamento significativo, e a sensação de controle cresce porque é fácil alternar: você pode movimentar o quadril para frente e para trás, ou permanecer imóvel, apenas focando na respiração.
Para quem quer entender o passo a passo dos exercícios, há uma série de dicas no artigo sobre exercícios com bola de pilates na gravidez.

Sentada na bola de pilates: movimento ativo e conforto
Se tem uma imagem que vejo muito no Gestar Ativa, tanto nos treinos semanais quanto no grupo de gestantes, é a da mulher sentada em uma bola de pilates, girando suavemente o quadril. Entre todas as posições para lidar com as contrações, essa é a que mais gera comentários positivos: sobre o alívio imediato na lombar, a facilidade de respirar, o ganho de conforto e, claro, a segurança de uma base macia e estável.
O segredo está em oscilar o corpo, alternando pequenos movimentos para frente, para os lados e círculos. Isso colabora para o encaixe do bebê e afasta aquela rigidez do quadril, comum especialmente em partos mais longos. Adoro sugerir movimentos leves e, caso sinta necessidade, usar almofadas no assento ou apoio dos pés para maior estabilidade.
O melhor? Dá para alternar essa posição com outras, conforme o corpo pedir, trazendo dinamismo e flexibilidade ao processo. Exercícios com a bola também promovem o relaxamento do períneo de forma indireta, ajudando tanto na progressão do trabalho de parto quanto no pós-parto.
Aliás, se quiser se aprofundar na preparação, deixo como sugestão a leitura dos conteúdos do pilar de preparação para o parto e do guia geral de exercício na gravidez por trimestre.
De quatro apoios: leveza para lombar e pelve
Quando as dores ficam mais intensas na lombar, fico contente em sugerir a posição de quatro apoios. Nela, mãos e joelhos tocam o solo ou uma superfície macia, formando uma linha confortável da cabeça até o quadril. Essa postura distribui o peso do corpo de forma equilibrada, aliviando a pressão sobre a coluna, alívio instantâneo para quem sente peso na região das costas ou do períneo.
Eu costumo orientar que se varie entre essa posição e pequenas rotações do quadril, ou mesmo uma leve inclinação para trás, apoiando o tronco sobre uma bola ou almofada. O descanso intercalado com movimento traz um relaxamento profundo, além de facilitar a oxigenação tanto para mãe quanto para o bebê, segundo diretrizes mundiais de saúde.

Apoiada na cama ou parede: conforto nas pausas
Nem sempre o corpo pede movimento. Às vezes, o importante é encontrar um ponto de apoio e apenas descansar entre as contrações. Apoiar-se de pé em uma cama ou parede, inclinando o tronco para frente enquanto relaxa o quadril, é uma alternativa prática que vejo constantemente dar certo, principalmente em ambientes hospitalares onde os recursos são mais limitados.
Esse contato físico com uma superfície firme (ou até com um acompanhante atrás, dando suporte) permite relaxar os ombros, descansar braços e aliviar a pressão da barriga. Muitas relatam sensação de acolhimento, especialmente quando o ambiente ganha um tom mais delicado, com iluminação suave e músicas escolhidas para relaxar.
Gosto de sugerir que, durante as pausas, aproveite para hidratar-se, receber massagens leves, se alongar ou apenas ouvir a própria respiração. O relaxamento é potencializado e, muitas vezes, as contrações parecem menos intensas.
Lateral: deitada de lado, alternativa segura e eficiente
Não são poucas as mulheres que, ao precisar repousar, encontram conforto deitando-se de lado (decúbito lateral). Além de manter a circulação sanguínea eficiente e reduzir o risco de queda de pressão, essa postura facilita o posicionamento do bebê, e é recomendada inclusive em diretrizes internacionais.
Colocar uma almofada entre os joelhos ou abraçar um travesseiro grande pode trazer ainda mais relaxamento. O importante é sentir-se confortável, sem travar a pelve ou segurar a respiração.
Estudos da Revista da Escola de Enfermagem da USP apontam diferenças claras na intensidade da dor em posições como essa, mostrando que mudar de postura pode realmente influenciar na percepção do desconforto.
Semi-sentada: apoio para descansar sem perder mobilidade
Entre o desejo de relaxar e a necessidade de se preparar para o momento do expulsivo, a posição semi-sentada surge como uma ótima opção. Com as costas inclinadas em um ângulo de 45º, apoiada em almofadas ou na cabeceira da cama, a gestante mantém parte do controle dos movimentos, mas pode descansar durante os picos das contrações.
Eu gosto desse equilíbrio entre mobilidade e repouso. Ele permite alternar facilmente para sentar, deitar de lado ou até voltar à posição ereta, conforme o corpo pedir. Movimentos de balanço suave, mesmo sentada, ajudam a relaxar, além de estimular o encaixe do bebê e o fluxo de oxigênio.
Pausas, massagens, respiração e autocuidado
Por mais que as posições ajudem no conforto, sempre indico pequenas pausas para hidratar-se, receber massagens suaves na lombar, experimentar banhos mornos (quando disponíveis) e focar na respiração controlada. Técnicas de respiração promovem não só o relaxamento físico, mas também emocional, e pesquisas demonstram que podem reduzir tanto a dor quanto a ansiedade durante o trabalho de parto (estudo sobre técnicas de respiração).
Nada impede de pedir apoio de doulas, familiares ou equipe multidisciplinar, principalmente para guiar as trocas de posições ou oferecer massagens nas costas, pelve ou pés. O autocuidado é uma poderosa ferramenta para se manter calma e confiante.
Se existe preparação melhor, é aquela que começa ainda no pré-natal. Exercícios desenvolvidos ao longo dos trimestres (como mostramos no blog de treinos para grávidas) tornam o corpo mais forte, melhorando a resistência, a consciência corporal e o respeito ao próprio limite.
A fisioterapia pélvica para prevenção de desconfortos também é uma alternativa sempre válida, permitindo um trabalho preventivo e educativo para o momento do parto.
Conforto e segurança: o que não pode faltar
Preparar o ambiente diminui a tensão. Luz suave, sons tranquilos, aromas delicados e liberdade de movimento são fatores que aumentam a sensação de segurança. Na minha opinião, garantir privacidade, apoio constante, hidratação e acesso a acessórios (bola de pilates, almofadas, cadeiras, lençóis para pendurar ou se apoiar) deve ser direito de toda gestante.
Responda ao seu corpo. Troque de posição sempre que sentir necessidade: Não é sinal de fraqueza ou indecisão, mas sim de respeito ao que o corpo pede durante esse momento.
O conhecimento especializado, como o oferecido pelo Gestar Ativa em seus programas e comunidades, faz toda diferença para que a mulher chegue confiante e informada ao parto, tornando possível uma recuperação mais curta, menos dores e lembranças mais doces.
Se você busca uma experiência acolhedora, saúde e autonomia, convido a conhecer mais sobre as soluções do Gestar Ativa. Minha missão é exatamente essa: apoiar de verdade, com evidência, carinho e respeito ao tempo de cada uma.
Conclusão
Chegar ao trabalho de parto conhecendo as posições que podem aliviar a dor, sentir-se segura para movimentar-se e pedir apoio quando for preciso faz toda a diferença na experiência. Eu acredito que protagonismo começa no preparo e se fortalece no respeito pelo próprio corpo, e minha missão, diariamente, é auxiliar as gestantes nesse caminho.
Coloque em prática esses conhecimentos, prepare-se com carinho e informação, e viva o parto como protagonista. Conheça o Gestar Ativa, descubra nossos programas e transforme sua experiência gestacional.
Perguntas frequentes sobre posições para alívio da dor do parto
Quais são as melhores posições para o parto?
As melhores posições são aquelas em que a gestante sente alívio, conforto e liberdade para se movimentar. Entre as mais usadas estão: em pé, de cócoras, sentada na bola de pilates, de quatro apoios, lateralizada, apoiada em superfícies e semi-sentada. O importante é alternar e sempre escutar o próprio corpo.
Como as posições aliviam a dor do parto?
Ao modificar a postura, é possível redistribuir o peso do corpo, reduzir pressões desconfortáveis na lombar e pelve, e aproveitar a gravidade para facilitar o encaixe do bebê. Além disso, as posições ativas estimulam a produção de hormônios do bem-estar, diminuindo a percepção da dor e acelerando o progresso do parto, como reforçado por estudos publicados no Brasil.
Quando mudar de posição durante o parto?
Sempre que sentir desconforto, cansaço ou notar que a posição deixou de ser confortável. O ideal é variar ao longo do processo, alternando entre períodos ativos (caminhar, cócoras, bola) e pausas para relaxar (de lado, semi-sentada). Não há regra: o autoconhecimento faz toda a diferença.
As posições naturais realmente funcionam para dor?
Sim! Posições naturais, validadas por pesquisas, ajudam a aliviar dores intensas, principalmente lombares e pélvicas. Elas estimulam movimentação ativa, relaxam músculos e reduzem intervenções externas, oferecendo ao corpo e à mente a chance de vivenciar o parto de forma mais tranquila e respeitosa.
Preciso de apoio profissional para usar essas posições?
O acompanhamento de um profissional especializado (doula, educador físico, fisioterapeuta) é recomendado para orientar, dar segurança e sugerir adaptações quando necessário. Porém, muitas posições podem ser adotadas de forma intuitiva, desde que a gestante esteja saudável e informada. O mais importante é que você se sinta acolhida e segura em suas escolhas.